sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

É isso aí - Ana Carolina

É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre

É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade

É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar de te olhar

A Conspiração - Vasco Pulido Valente

No "Público" de hoje...

A conspiração

Vasco Pulido Valente


O"caso Freeport" absorveu toda a política portuguesa e toda a diligência de todo, ou quase todo, o jornalismo português. Compreendo muito bem esse entusiasmo. Infelizmente, para meu mal, tenho uma aversão a "escândalos" sejam de que espécie forem e uma incapacidade nata para os perceber.O"caso Freeport" absorveu toda a política portuguesa e toda a diligência de todo, ou quase todo, o jornalismo português. Compreendo muito bem esse entusiasmo. Infelizmente, para meu mal, tenho uma aversão a "escândalos" sejam de que espécie forem e uma incapacidade nata para os perceber. A história do tio, do primo, do licenciamento, do prazo, do e-mail, da carta, da empresa, do intermediário, do processo e por aí fora é, para mim, puro mistério e um objecto de absoluto desinteresse. Sempre que ouço a palavra "Freeport" desligo a televisão ou paro de ler. Não porque não ache importante saber se o primeiro-ministro se portou ou não como devia, mas porque desde o princípio me perdi no meio da embrulhada. Como aconteceu, presumo, a dois terços do país.Só que o alvoroço que por aí se levantou não é inócuo. As coisas passaram o limite do que pode ser esquecido e arrumado. Mesmo que se esclareça até ao último pormenor, o "caso Freeport" nunca deixará de pesar sobre Sócrates - com razão ou sem ela. O cidadão comum, que partilha com orgulho a minha indiferença e opacidade, vai fatalmente concluir que houve ali enredo. Tanto mais que a polícia inglesa - por definição acima da intriga indígena - se meteu no assunto e chegou ao excesso de investigar o próprio primeiro-ministro. Nenhuma explicação que Sócrates decida agora dar atenua ou anula a atmosfera pouco salubre que já se criou. Nem as declarações da Procuradoria-Geral da República lhe valem de muito. Basta andar na rua para se compreender que a opinião está feita.
O problema neste momento é o da eficácia de Sócrates como primeiro-ministro. Uma eficácia que o fracasso do Governo, a crise económica, a fronda de Manuel Alegre e a proximidade de eleições substancialmente diminuíram e que o "caso Freeport" se arrisca a desfazer. Se o resto corresse bem, o "caso Freeport" não iria longe; como o resto corre cada vez pior, serve hoje e continuará a servir de símbolo e pretexto ao descontentamento geral. De certa maneira existe a conspiração de que Sócrates suspeita: a conspiração dos portugueses que o detestam e que descobriram de repente um motivo óbvio para correr com ele. No fundo, os méritos da questão não preocupam ninguém, desde que Sócrates desapareça. E ele começa, de facto, a desaparecer.

Só os ministros do PS se demitem por razões éticas...

Quem é o autor da afirmação? É o nosso 1º Ministro (depois de ontem alguém ainda acredita neste moço)!???!!?? (DN 06.10.2005)

Sócrates lembra Guterres e rejeita repetir demissão PS coloca pesos- -pesados no terreno a dois dias do final da campanha eleitoral
Lusa-Nuno Veiga
Alentejo. Sócrates despiu fato de PM e andou a fazer campanha.

A dois dias do fim da campanha, e em feriado republicano, o PS colocou ontem no terreno e em simultâneo diversas figuras de topo da hierarquia partidária, num derradeiro apelo ao voto nos socialistas. José Sócrates foi ao Alentejo, Almeida Santos e Maria de Belém estiveram no Porto e Jorge Coelho andou por Viseu.Em Alter-do-Chão, o primeiro--ministro e secretário-geral do PS esteve numa sessão de apoio ao candidato local e do baú dos discursos retirou diversas referências a António Guterres. O líder socialista que se demitiu precisamente há quatro anos, depois de um resultado autárquico catastrófico. Guterres demitiu-se, lembrou Sócrates (citado pela Lusa), "porque nessa altura o seu Governo estava sem condições políticas e sem maioria absoluta na AR. O resultado dessa eleição acabou por debilitar o Governo". Com esta afirmação, José Sócrates deixou de alguma forma implícito que para o PS, mesmo perante um mau resultado eleitoral no domingo, esse cenário não terá, agora, as consequências que teve na noite de 16 de Dezembro de 2001 - "estas eleições são sobre autarcas, a avaliação do Governo chegará dentro de quatro anos". Uma forma suave de ir preparando o discurso para a noite do dia 9.
Felgueiras. José Sócrates "provavelmente" teria ido a Felgueiras se não fosse "intimado" pelos adversários, afirmou ontem Almeida Santos. Antes do almoço de apoio ao candidato oficial do PS à Câmara, José Campos, o presidente do partido - "sabe que também tem algum peso", ironizava - disse que o facto do desafio ter sido colocado ao nível do líder do PS ter ou não coragem para ali ir foi "uma forma de insultar o povo de Felgueiras", cuja população é ordeira. "Se alguma coisa o primeiro-ministro já demonstrou é que tem coragem", lembrava. "Nunca nenhum Governo tomou medidas impopulares (mas necessárias) nas vésperas de um acto eleitoral. Mais, pela primeira vez, as medidas de austeridade afectam tanto quem está por baixo como quem está por cima", explicaria o presidente do PS. Recusando pronunciar-se acerca do processo de Fátima Felgueiras, alegando a sua condição de jurista e o princípio da presunção de inocência ("ninguém espere que venha aqui para julgar"), tornearia a questão quando, ao falar aos candidatos e apoiantes, evocava a ética política republicana, até porque os calendários marcavam, ontem, 5 de Outubro, essa data que remete para a Rotunda em 1910."Só os ministros socialistas é que se demitem por razões éticas", exemplificava, sem necessitar de citar os nomes de Walter Rosa, que saiu do Governo porque "o filho foi acusado de comportamento desonroso"; de António Vitorino, "acusado de não ter regularizado a sisa" quando até tinha pago a mais; de Jorge Coelho, que abandonou o cargo "quando caiu uma ponte", meses depois de ter sobraçado a pasta das Obras Públicas".Confrontado com a declaração da candidata da lista "Sempre Presente" (para o PS local, "sempre ausente"), Fátima Felgueiras, que disse que lhe daria um abraço se se cruzassem, Almeida Santos retorquia "Recebê-lo-ei com muito gosto e retribui-lo-ei também com muito prazer." Quanto ao resto, "vamos ver o que pensa o povo de Felgueiras, pois esse é que é o árbitro supremo nestas querelas que, neste momento, nos dividem".
GONDOMAR. Para Gondomar, o PS destacou Maria de Belém para dar apoio ao candidato Manuel Martins no combate a Valentim Loureiro. A dirigente, membro da Comissão Política do partido, afirmou estar no concelho nortenho para evidenciar que a candidatura do PS assume uma forma de estar na política diferente da praticada pelo autarca de Gondomar, agora candidato independente."O poder pelo poder não interessa. Não serve as pessoas. A política defende interesses colectivos e não individuais. Isso é que é preciso gritar bem alto Não vale tudo em política", disse aos jornalistas no jardim frontal à Câmara Municipal de Gondomar. No interior do edifício, Valentim Loureiro espreitava por uma janela enquanto apertava o nó da gravata. O candidato preparava-se para efectuar, enquanto presidente da câmara, a segunda das quatro inaugurações previstas para ontem. Maria de Belém (que nestas eleições é candidata à presidência da Assembleia Municipal de Lisboa) rejeitou que a direcção nacional do PS esteja a prestar pouco apoio a Gondomar. "Os dirigentes nacionais estão muito empenhados nesta candidatura. Vim cá a pedido de Jorge Coelho, que não pode vir cá por estar muito ocupado, estando de dia e de noite ao serviço do PS. Vim com todo o gosto e até estou a dar visibilidade às mulheres com a minha presença. Não considero que possa ser interpretado como um sinal menor ter sido eu." Manuel Martins sentiu-se satisfeito com a presença de Belém e apontou que as "expectativas estão a subir", apesar das indicações das sondagens. "Valem o que valem e não acreditamos que Gondomar seja novamente entregue a Valentim. Seria uma desgraça", disse. O candidato e a convidada partiram depois para a acção de campanha. Sentados num Mercedes SLK200 cabriolet , que liderava a caravana automóvel pelo concelho.
Mangualde. A tal agenda muito preenchida de que falava Belém levou Jorge Coelho à sua terra natal, Mangualde (Viseu), para dar um forcing ao candidato do PS, João Azevedo, numa autarquia do PSD. "Hoje é seguramente o dia mais importante desta campanha eleitoral para mim, porque estou na minha terra, com a minha gente."Amanhã à meia-noite calam-se os bombos, recolhem-se as bandeiras, termina a campanha. Domingo, aos eleitores o julgamento.* Com Martim Silva

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Crescimento Economico Mundial (Previsões e Revisões)


Portugal nem aparece (provavelmente está integrado na Zona Euro (mas a crescer menos que os outros parceiros de Zona))!!!!!

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À mulher de César ...

Excelente editorial do Director do "Público"...

A mulher de César e a importância da confiança em política
José Manuel Fernandes
2009-01-29

Em dias de crise é mais importante do que nunca que os cidadãos confiem nos seus líderes. Essa confiança pode perder-se por erros políticos ou quando surgem dúvidas sobre o comportamento do cidadão. É por isso que Sócrates está a viver a pior crise do seu mandato José Sócrates, como primeiro-ministro e como cidadão, viveu ontem um dia difícil. Mas o pior é que pode não ter sido o mais difícil.Como primeiro-ministro, José Sócrates foi confrontado com a forma equívoca, ou mesmo enganadora, como apresentou um relatório encomendado pelo Governo como sendo um texto da OCDE. Não se saiu nada bem no debate parlamentar e ficou ainda pior no retrato quando as televisões passaram imagens do que tinha dito há apenas dois dias. Deixou uma ideia de pouca seriedade e rigor.Também como primeiro-ministro, recebeu a má notícia de que Bruxelas enviará para Portugal apenas umas migalhas do dinheiro que reservou para apoiar o combate à crise económica nos diferentes países da União. Apenas estarão garantidos, para já, 30 milhões de euros dos 5 mil milhões de euros do pacote europeu. Como cidadão, foi confrontado com revelações, sempre embaraçantes mesmo que totalmente injustas, de que a polícia inglesa coloca o seu nome à cabeça da lista de suspeitos num eventual caso de corrupção durante o processo de licenciamento do Freeport. O caso avoluma-se de dia para dia, e multiplicam-se as dúvidas sobre a forma como esse controverso empreendimento foi aprovado nos últimos dias do Governo de António Guterres.Uma investigação do PÚBLICO, que hoje editamos, mostra que o processo do Freeport foi o que viu o seu derradeiro estudo de impacto ambiental aprovado em menos tempo em mais de mil processos que abarcam uma dúzia de anos. Todos desejam uma administração pública mais célere, mas todos também desconfiam quando essa rapidez surge associada a dúvidas sobre o pagamento de comissões, pois é isso que os ingleses estão a investigar.Como se tudo isto não fosse suficiente, o que deveria ter resultado numa operação de branqueamento da sua actuação, durante a década de 80, como projectista na Câmara da Guarda acabou por resultar noutro embaraço: a maioria socialista do município foi obrigada a distribuir o relatório pelos vereadores da oposição e o seu conteúdo revelou-se muito frágil. Pior: a Supremo Tribunal Administrativo impôs àquele município que permitisse o acesso livre do PÚBLICO aos seus arquivos, algo que tentara impedir.
Todos estes casos podem vir a esfumar-se sem criar danos maiores do que desfocar a atenção do primeiro-ministro naquilo que deve ser a sua prioridade - prioridade que assume -, o combate à crise económica. Ninguém está em condições de o acusar de nada, e por isso goza, enquanto cidadão, da total presunção de inocência.O problema, contudo, é outro, e há muito que é sintetizado no aforismo de que à mulher de César não basta ser séria, tem de parecer séria. Nos dias que correm, mais do que ficarmo-nos por uma seriedade então associada à ideia de fidelidade, o que é importante num político é inspirar confiança. Sobretudo nos dias difíceis dos outros, que hoje são quase todos para uma grande parte dos portugueses.Ora a confiança é um bem frágil, algo que decorre da percepção de que quem nos diz para o seguirmos não nos engana porque nunca nos enganou antes no que é realmente substantivo. Falhou uma promessa eleitoral? Para isso todos estão, melhor ou pior, preparados, sobretudo se tiverem a percepção de que quem ocupa o poder está a fazer o melhor que sabe e pode. Usou truques de retórica e manipulou alguns números e estatísticas? Quase se diria que isso faz parte do jogo democrático, pois em condições normais esperar-se-á que a oposição e os diferentes actores da sociedade civil possam contradizê-lo.Muito mais difícil é lidar com problemas que não decorrem apenas dos reveses e dificuldades de um político, mas das dúvidas que rodeiam a actuação do cidadão. Sócrates irá à luta para defender a sua honra e outra coisa não se esperaria. A dúvida é se aquilo que muito dificilmente pode continuar a apresentar como uma manobra dos seus inimigos políticos (por causa do peso que está a assumir a investigação inglesa) lhe permitirá travar essa luta ao mesmo tempo que lidera o país na melhor direcção e consegue que os portugueses confiem suficientemente nele para o reeleger daqui por uns meses.

Mais uma do Pinócrates... Gato escondido com rabo de fora...

Educação
PS terá feito alterações "online" em texto sobre relatório dito da OCDE
PÚBLICO

O Partido Socialista fez algumas alterações, na sua página de Internet, a um texto sobre o dito relatório da OCDE sobre educação, alterando-o para o formato apresentado na passada segunda-feira e no qual é elogiada a “resistência” da ministra da Educação, indica o “Jornal de Notícias”.
De acordo com o JN, no texto original, “ainda disponível no 'site' dos socialistas às 11h24”, o título da notícia era ‘Relatório da OCDE elogia política de Educação do Governo PS’. Às 16h00, já durante o debate quinzenal no Parlamento com a presença do primeiro-ministro, a página do PS mostrava um novo título, "José Sócrates elogia resistência da ministra da Educação".O JN indica ainda que foram também detectadas alterações no corpo do texto, “tendo sido substituída, no segundo parágrafo, a expressão ‘relatório da OCDE sobre política educativa’ por ‘estudo sobre política educativa’.Polémica sobre a autoria do relatórioDurante o debate quinzenal na Assembleia da República, a oposição acusou o Governo de mentir e de querer fazer passar o relatório sobre política educativa para o primeiro ciclo (2005-2008) como sendo da autoria da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico), quando o documento terá sido “pago e encomendado pelo Governo que segue metodologia utilizada pela OCDE”, segundo o Bloco de Esquerda, que denunciou a manobra no “site” esquerda.net. Esta polémica terá sido primeiramente levantada pelo blogue ProfAvaliação, que escreveu que “o estudo não é da OCDE”. “[O documento] é desenvolvido por um grupo de peritos ‘liderado por Peter Matthews’ e segue os critérios da OCDE. E foi solicitado pelo Ministério da Educação, que, para abonar a credibilidade, assegura que foi elaborado por uma equipa de peritos internacionais de ‘independentes’”, pode ler-se num post.Perante a imprecisão da origem do relatório, o líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, acusou o chefe do Governo: "O sr. primeiro-ministro e os assessores do Governo fizeram passar para a imprensa que isto era um relatório da OCDE quando não é. Faltaram à verdade aos portugueses".Rangel acrescentou ainda: "Se esse relatório é tão bom, é tão credível e merece tanta confiança porque teve necessidade de mentir, dizendo que pertence à OCDE, quando não pertence?”.Sócrates reconhece que relatório é da autoria de “peritos independentes"José Sócrates defendeu-se afirmando que o Executivo nunca atribuiu o estudo à OCDE. E citou o prefácio do documento para mostrar que “segue de perto a metodologia e abordagem da OCDE”, reconhecendo que o documento foi feito por “peritos internacionais independentes”.Na resposta a José Sócrates, o PSD não se mostrou satisfeito com as justificações e insistiu que a própria organização já veio desmentir qualquer vínculo com o relatório. Depois, apontou o dedo aos critérios seguidos, considerando insuficiente a consulta de sete autarquias – na sua maioria socialistas – e de dez escolas para apresentar resultados. “Um Governo que monta esta encenação (...) só por razões de propaganda não tem credibilidade nem merece a confiança dos portugueses”, acrescentou Paulo Rangel, que apelidou o documento de “relatório do facilitismo”. O primeiro-ministro reiterou ainda que "o Governo não levou ninguém ao engano" sobre autoria do estudo e atribuiu as críticas ao "desespero do PSD”.O primeiro-ministro insistiu que o problema do PSD é não suportar e estar contra o sucesso do país “por ciúme e inveja”. E acrescentou: “Sempre desconfiei dos fariseus que andam sempre com a verdade na boca e na primeira oportunidade não receiam recorrer à mais vil mentira”.Contactado pela Lusa, o PS afirmou não querer dizer "mais nada" sobre o assunto, acrescentando que "tudo o que tinha de ser esclarecido já foi esclarecido hoje no Parlamento".

Um imenso Freeport - Helena Matos

Excelente artigo hoje no Público...
Um imenso Freeport
29.01.2009,
Helena Matos

É preocupante que a legislação ambiental seja usada para protecção de determinados grupos económicos

"Aquelas casas! Que horror!" Assim comentava, nos bastidores de um debate, alguém da área do PS a traça das casas cujos projectos José Sócrates garante ter assinado, embora os respectivos proprietários digam não ser ele o autor dos projectos. O tom desta frase estava algures num lugar indefinível entre o sarcasmo e a complacência. O sarcasmo nascia naturalmente da convicção enraizada no meu interlocutor de que os processos de licenciamento deveriam funcionar como uma espécie de comissão de bom gosto que tornasse pelo menos esteticamente inócuas as casinhas do povo. Afinal não há nada que irrite tanto as elites de cada época quanto a arquitectura popular sua contemporânea. Já a complacência resultava não tanto da atitude do meu interlocutor perante os actos e as opções de José Sócrates, mas sobretudo perante si mesmo.O meu interlocutor era e é o que se pode designar como um socialista histórico. Fazia parte daquele grupo que se fizera adulto nas crises académicas dos anos 60 e 70, reforçara, depois de 74, os seus pergaminhos democráticos combatendo as tentações totalitárias dos comunistas e, durante o cavaquismo, integrara a corte de Soares em Belém. Foram mais de 20 anos a ver-se, ele e todo o seu grupo, como infinitamente cultos e superiores nas mesas espelhadas dos gabinetes. E são eles que agora têm pela frente, como seu líder, um homem que noutro contexto teriam literalmente arrasado. Por elitismo intelectual. Mas não só.O que em Portugal distingue os socialistas das outras famílias políticas não são os seus actos. É sim a complacência perante alguns desses actos. Complacência que por razões históricas era maior no PS que nos outros partidos - no pós 25 de Abril, o PS emerge como partido e líder inevitável num país a precisar de esquecer o passado. Mas histórias recentes elevaram essa complacência para níveis preocupantes. Essas histórias têm nome. Chamam-se Casa Pia e José Sócrates. O PS terá um dia de fazer o balanço destes dois episódios distintos da sua vida, episódios em que aquele partido reagiu de igual modo perante acusações de natureza absolutamente diversa aos seus dirigentes: nos dois casos, importantes dirigentes socialistas alegaram que foram vítimas de cabalas.Que o maior partido português, o PS, defenda que em Portugal - o mesmo país que o PS tem governado várias vezes - investigadores policiais devidamente articulados com a comunicação social e instituições da República conspiram contra os seus líderes é um caso que nos devia fazer reflectir. Porque sendo isso verdade é gravíssimo. E não o sendo também é. Porque um partido democrático, com responsabilidades de governo, não pode levantar levianamente suspeitas que descredibilizam as instituições. Esta atitude dúbia do PS, que num dia se diz vítima de cabalas e no outro quer encerrar rapidamente o assunto, conduziu os portugueses, socialistas ou não, a um pântano, no sentido guterriano do termo, mas com a assinalável diferença em relação ao autor do termo que aos restantes portugueses ninguém os convida ou coloca em cargos internacionais. Logo só podemos ficar aqui encalhados e a considerar normal hoje aquilo que na véspera designávamos como crime. E sabendo antecipadamente que amanhã flexibilizaremos ainda um pouco mais a nossa escala de valores.Mas se do processo da Casa Pia, até pela natureza dos factos, nos resta sobretudo esperar que o tempo, ainda mais do que a justiça, traga a distância que torna mais nítidas as motivações humanas, sobretudo as menos confessáveis, já quanto às suspeitas que envolvem José Sócrates é possível e desejável que se discutam algumas coisas. Até porque José Sócrates tem razão num ponto: no caso Freeport tal como nas casinhas da Guarda estamos provavelmente perante situações legais, ou, mais propriamente, situações cuja ilegalidade não se consegue provar. E se tudo isto poderia ter acontecido com outro primeiro-ministro socialista ou não (sendo certo que se não fosse socialista a onda de indignação teria neste momento proporções bíblicas), a verdade é que casos como o Freeport tenderão a banalizar-se, porque a concepção de José Sócrates do seu Governo como uma equipa negocial de luxo a isso nos levará, sem apelo nem agravo, sobretudo quando os negócios falharem.José Sócrates entende o aparelho de Estado como uma imensa empresa. A empresa-Estado escolhe, como no caso do Magalhães, os seus parceiros de negócios e cria legislação especial para que esses parceiros não sejam tolhidos nos seus projectos pelos mesmos entraves que se colocam ao cidadão comum. Como bem frisou Pedro Almeida Vieira no blogue estragodanacao.blogspot, hoje o processo de licenciamento do Freeport já nem se colocaria nos mesmos moldes, porque seria projecto PIN, ou seja, teria uma espécie de via verde no labirinto da burocracia e da legislação onde se desgastam todos os outros.O que os promotores do Freeport conseguiram foi logo à partida aquilo que cada um de nós teria o direito de esperar em igual circunstância: que a decisão fosse rápida. A mim não me choca a celeridade do processo. O que me choca é a lentidão com que são tratados os outros. Muito provavelmente o Freeport nem representa uma degradação ambiental em relação à situação anterior. O que é preocupante é vermos a legislação ambiental transformada num regresso ao condicionamento industrial do salazarismo com a consequente protecção de determinados grupos económicos. Muitos dos terrenos ambientalmente protegidos funcionam como um território em pousio donde o poder político faz desafectações quando entende e a favor de quem entende, baseando-se em critérios que valem tanto quanto o seu contrário.Em todas as possibilidades de escolha, da banca às escolas, da administração interna aos bolos que comemos na praia, o Governo de Sócrates tirou sempre poder aos cidadãos e reforçou a intervenção do Estado. E esse Estado que não cumpre as suas funções inalienáveis como desgraçadamente se vê na justiça ou na incapacidade de fiscalização do Banco de Portugal, reforça-se pela mão de José Sócrates como a grande empresa nacional. José Sócrates não vê problema algum no caso Freeport. Nem pode ver. O poder para ele é isso: gerir uma equipa negocial de luxo. (helenafmatos@hotmail.com) a Geminação. Desde que Lisboa manifestou o propósito de se geminar com Gaza que descobri o fabuloso mundo da geminação. Neste domínio as nossas autarquias parecem afectadas por uma síndroma de gravidez múltipla: tudo se gemina com tudo. Quiçá como resultado de tanta cidade gémea, a verdade é que não se percebe o que de substantivo resulta de tanta geminação. Algumas cidades invocam a participação em provas desportivas comuns, festivais de poesia e o reforço de laços com emigrantes portugueses. Enfim, nada que não pudesse existir sem a referida geminação. Donde (e à parte o custear das viagens do costume) não me parecer termos algo a recear com esta geminação entre Lisboa e Gaza. Espero até que José Sá Fernandes integre a comitiva que irá a Gaza por causa da geminação e se informe sobre os túneis que ligam Gaza ao Egipto e de caminho esclareça os portugueses sobre as razões que levam a que o Egipto não deixe passar pelas fronteiras terrestres tudo aquilo que os nossos gémeos de Gaza fazem circular nesses túneis. O que já desisti é de esperar que os partidos democráticos deixem de andar a reboque do BE e do PCP nesta matéria.O estudo estrangeiro que diz bem do nosso Governo. É um clássico. A Pátria tem esta fraqueza: tudo que de bom ou mau de nós se diga para lá de Olivença tem uma enorme repercussão nas nossas lusas meninges. Quem nos governa sabe disso, daí que governos sucessivos, ao longo do século XX, tenham pago a jornalistas e a uns denominados intelectuais para escreverem sobre o caso português. Agora chegou a vez dos técnicos de organizações internacionais se prestarem a esta função.Como tenho levado boa parte dos últimos anos a investigar a propaganda encomendada por vários governos de Portugal posso dizer que já se fez melhor e, apesar de tudo, às vezes menos obviamente servil. O que se mantém inalterável é a disponibilidade da imprensa portuguesa para publicar todas essas declarações como reputadas opiniões de observadores independentes. E estrangeiros, pormenor não de somenos em matéria de propaganda.

A Description of the Morning - Jonathan Swift

A Description of the Morning
Now hardly here and there a hackney-coach
Appearing, show'd the ruddy morn's approach.
Now Betty from her master's bed had flown,
And softly stole to discompose her own.
The slip-shod 'prentice from his master's door
Had par'd the dirt, and sprinkled round the floor.
Now Moll had whirl'd her mop with dext'rous airs,
Prepar'd to scrub the entry and the stairs.
The youth with broomy stumps began to trace
The kennel-edge, where wheels had worn the place.
The small-coal man was heard with cadence deep;
Till drown'd in shriller notes of "chimney-sweep."
Duns at his lordship's gate began to meet;
And brickdust Moll had scream'd through half a street.
The turnkey now his flock returning sees, Duly let out a-nights to steal for fees.
The watchful bailiffs take their silent stands;
And schoolboys lag with satchels in their hands.
Bom dia!!!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Morning Song - Jewel

"Let the phone ring, let's go back to sleep
Let the world spin outside our door, you're the only one that I wanna see
Tell your boss you're sick, hurry, get back in I'm getting cold
Get over here and warm my hands up, boy, it's you they love to hold
And stop thinking about what your sister said
Stop worrying about it, the cat's already been fed
Come on darlin', let's go back to bed
Put the phone machine on hold
Leave the dishes in the sink
Do not answer the door
It's you that I adore - I'm gonna give you some more
We'll sit on the front porch, the sun can warm my feet
You can drink your coffee with sugar and cream
I'll drink my decaf herbal tea
Pretend we're perfect strangers and that we never met...
My how you remind me of a man I used to sleep with that's a face I'd never forget
You can be Henry Miller and I'll be Anais Nin
Except this time it'll be even better,
We'll stay together in the end
Come on darlin', let's go back to bed
Put the phone machine on hold
Leave the dishes in the sink
Do not answer the door
It's you that I adore -
I'm gonna give you some more”

Quarenta milhões podem perder o emprego em 2009..

Pior dos cenários da Organização Internacional do Trabalho

Quarenta milhões podem perder emprego este ano no mundo

João Manuel Rocha


Quarenta milhões de pessoas podem engrossar este ano o número de desempregados no mundo, se a situação económica se continuar a deteriorar, prevê a Organização Internacional do Trabalho (OIT), num relatório hoje divulgado.
No quadro mais grave, o número de desempregados subiria para 230 milhões, mais 40 milhões do que os 190 milhões das estimativas existentes para 2008, refere o relatório anual da organização sobre tendências do mercado de trabalho. Só nas economias mais desenvolvidas e países da União Europeia, o número de desempregados poderia, no cenário mais negro, aumentar oito milhões – dos 32 milhões estimados para 2008 para 40 milhões. O agravamento da situação económica empurraria também 200 milhões de trabalhadores, principalmente das economias em desenvolvimento, para situações de pobreza extrema. O relatório da OIT, uma organização tripartida em que têm assento governos, organizações patronais e laborais, traça três cenários. O mais optimista, baseado nas projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI) de Novembro de 2008, aponta para uma taxa global de desemprego de 6,1 por cento, contra seis em 2008 e 5,7 em 2007, o que implicaria um aumento de oito milhões de desempregados. Com uma degradação maior do que o previsto em Novembro, a taxa de desemprego subiria para 6,5 por cento, correspondendo a um aumento de 20 milhões de desempregados quando comparado com as estimativas de 2008. No pior cenário, tendo em conta os dados actualmente disponíveis, o desemprego global poderia subir para 7,1 por cento, com um aumento do número de desempregados em mais de 40 milhões de pessoas. Os dados da OIT tomam como base a existência de 179 milhões de desempregados em 2007 e estimativas de 190 milhões em 2008. “A mensagem da OIT é realista, não alarmista. Estamos numa crise global de emprego. Muitos governos estão conscientes e a actuar, mas é necessária uma mais decisiva e coordenada acção internacional para impedir uma recessão social global”, disse o director-geral da OIT, Juan Somavia. A procura de respostas para a crise, na perspectiva do mundo do trabalho, estará em discussão na 8ª Reunião Regional Europeia da OIT, marcada para os dias 10 a 13 de Fevereiro em Lisboa, um encontro em que está prevista a participação de cerca de 500 especialistas indicados pelos governos e parceiros sociais dos 51 estados membros da OIT Europa.